
Para que não se pense que estou com uma qualquer sanha persecutória contra o Google-Zero.com / Eco-Find.com, segue abaixo o mais recente comentário que coloquei no blog do próprio motor de busca, onde os responsáveis da empresa mostraram, em vídeo, a poupança de energia em acção (num CRT).
Fico agora à espera para ver se aceitam o desafio de boa-fé que lhes lanço.
É no mínimo estranho que uma marca bem sucedida como estava a ser a Google-Zero - afinal, 60.000 acessos na primeira semana é obra - desapareça de um dia para o outro, sem completar sequer um mês de vida.
Mais estranho ainda é o endereço Google-Zero.com agora redireccionar para Eco-Find.com. Será um rebranding com vista à internacionalização do projecto?
E como duas coisas estranhas nunca vêm sós, o terceiro aspecto inusitado é que Cláudio Fernandes - um dos sócios da Adclick, empresa sediada na Senhora da Hora, perto do Porto - tenha deixado de aparecer como responsável pelo domínio Google-Zero nos registos do Whois. A informação, que antes era pública, agora é privada.
Que sentido faz esconder informação que antes era pública e mudar radicalmente um nome que estava a ser bem aceite? Estranho, muito estranho…
Actualização: Não é que a versão espanhola deste “motor de busca ecológico” - Google-Cero.com - continua activa? Que rebranding mais estranho…
Ainda para mais porque - tendo o mesmíssimo aspecto que o Google-Zero, perdão Eco-Find - o Google-Cero.com foi registado por Pedro Roque. Só que isto não é estranho, já que este senhor também é sócio da Adclick.
É preciso dar os parabéns aos responsáveis pelo Google-Zero. A campanha de marketing viral foi bem feita, pois recebi vários e-mails a aconselhar-me a mudança para este motor de busca português, clone do Google, preto e com pretensões ecológicas.
Registado a 8 de Dezembro de 2007, uma semana depois o Google-Zero teve direito a um artigo no Público e voltou a ser referido a 20 de Dezembro no Diário Digital, órgão que destacava as 60 mil visitas obtidas pelo motor de pesquisa na primeira semana, o que supostamente equivalia a uma poupança de 120.000 watts-hora.
Ora, como é que os responsáveis pelo Google-Zero chegam a este valor? Ler mais »
No dia em que percebi que por 21 euros mensais poderia apoiar a alimentação e educação de uma criança, através de um anúncio do CCS numa estação de rádio, nem pensei duas vezes. Falei nisso ao Henrique e a reacção foi imediata. Contactámos a organização e através de um programa de apadrinhamento à distância a Zubaida, uma menina de 8 anos que vive em Chibuene (Moçambique), tornou-se nossa “afilhada”.
É claro que este passo teve particular significado pelo facto do Henrique ter nascido em Moçambique, um dos países em que o CCS – Centro para a Cooperação e Desenvolvimento desenvolve os seus projectos, além de Angola, Zâmbia e Nepal. Os custos de um apoio como este são muito pouco significativos para a maioria de nós, mas fazem realmente a diferença nas aldeias rurais de um país como Moçambique, ainda muito pobre apesar de estar no bom caminho…
O que queremos é multiplicar o nosso apoio a mais pessoas e projectos nos próximos anos, aumentar o nosso envolvimento de diversas formas. Pequenos passos como este são apenas um tímido começo.
Além do apadrinhamento, o CCS tem o programa “Água é Vida”, que consiste simplesmente na angariação de fundos para a construção de poços de uso colectivo nas aldeias africanas. Este ano um grupo de voluntárias dos Açores começou também a angariar fundos, nas festas de Verão, e conseguiu juntar o suficiente para construir pelo menos dois poços! Cada poço custa cerca de 2 mil euros. Mais uma vez, um custo pouco significativo para a transformação que provoca na vida de dezenas de pessoas.
O CCS também abre regularmente programas de recrutamento de voluntários, como aquele de que tive conhecimento através de um e-mail recente. Os voluntários têm de fazer um período de formação de quatro meses e depois são enviados para o terreno, para aplicação e monitorização de projectos. Aceitam-se pessoas de todas as áreas, desde que tenham motivação.
As inscrições terminaram ontem, dia 7 de Dezembro, mas nunca se sabe, talvez ainda valha a pena tentar. Se alguém estiver interessado pode enviar curriculum para info@ccspt.org, acompanhado de carta de motivação, ao cuidado de Joana Clemente ou Helena Correia. Se quiserem obter mais informação sobre qualquer um destes projectos visitem http://www.ccspt.org.
Quantos de nós já se sentiram dispostos a partir para África num programa de voluntariado, a dar um pouco de si para fazer a diferença, por pequena que seja, no estado do mundo?
Quantos de nós não afastaram a ideia e não adiaram um eventual contributo por não ser a altura certa, por não ter dinheiro, por ter uma carreira profissional a defender ou simplesmente por não saber muito bem o que fazer?
As Nações Unidas pensaram nas pessoas que estão nessa situação e inventaram uma maneira de facilitar as coisas, ao criar um serviço de voluntariado on-line. Sentados em casa ao computador, e tirando partido dos nossos conhecimentos, podemos apoiar o trabalho de organizações do mundo inteiro emprestando apenas umas horas do nosso tempo, conforme a disponibilidade de cada um.
Através deste mecanismo, as pequenas organizações de desenvolvimento, ambiente, combate à pobreza, etc. (e mesmo a própria ONU) podem ter acesso ao trabalho e consultoria especializada de profissionais qualificados, aos quais muitas vezes não teriam capacidade para pagar. Ao mesmo tempo, podemos tomar contacto com diversas equipas e ambientes de trabalho, ganhar experiência e contactos.
Eu rendi-me a esta forma inteligente de prestar um contributo, por mais insignificante que seja. Apenas me candidatei a dois projectos até agora por estar a braços com a dissertação de mestrado, que tenho de entregar nos próximos meses, mas assim que terminar vou entrar em força neste programa.
Aqui fica a sugestão para quem ainda não conhecia: http://www.onlinevolunteering.org
É muito fácil: basta registarem-se e pesquisar os projectos de acordo com o vosso perfil de conhecimentos, formação, experiência, idiomas, etc.
Bem à medida dos nossos agitados quotidianos
No sábado 24 de Novembro vai haver uma acção de limpeza das praias do Portinho da Arrábida e Creiro, da vegetação envolvente e das estradas de acesso, promovida pelo GEOTA, pela LPN e pelo Clube de Montanhismo da Arrábida.
É logo de manhã, às 9 horas, e deverá durar entre quatro e seis horas. Ou seja, ocupará toda a manhã e, eventualmente, as primeiras horas da tarde.
Quem quiser saber mais informações e/ou inscrever-se na iniciativa, só tem de seguir o link.
Para divulgar o seu eco-empenho a EDP lançou o site www.eco.edp.pt
Lá podemos encontrar várias informações e inciativas, desde compreender quanto gastamos por cada electrodoméstico até diversas dicas de como poupar.
Em baixo ficam algumas…
… tem algumas coisas importantes (e outras curiosidades) importantes de se reterem.
E assim, começo aqui a minha colaboração
Alan Weisman: Fascinante experiência mental
24 de Outubro de 2007
Por Ana Gerschenfeld
“O que aconteceria à Terra se os seres humanos de repente desaparecessem? Conseguiria sarar as suas feridas ambientais? É o tema do best-seller O Mundo sem Nós, disponível desde ontem nas livrarias portuguesas. No mesmo dia, o autor, Alan Weisman, esteve em Lisboa
É um pouco como assistirmos ao nosso próprio funeral. Já não estamos cá, mas é-nos concedido o privilégio de espreitar. É este o singelo exercício de previsão de um futuro sem humanos a que nos convida, ao longo de 300 páginas, Alan Weisman, jornalista e professor de jornalismo da Universidade do Arizona.
(…) “Decidi matar toda a gente logo nas duas ou três primeiras páginas”, frisou Weisman. “Assim, o pior já aconteceu.”
Sem humanos pelo meio, estamos, segundo ele, em condições de pensar seriamente nos problemas que enfrentamos. “Não é ficção científica”, acrescenta, “um dia pode aparecer um vírus específico do Homo sapiens ou podemos ficar todos estéreis.”
Paradoxalmente, a experiência revela-se assustadora e reconfortante ao mesmo tempo. Assustadora pela enormidade dos estragos que o Homo sapiens petrolerus - é assim que Weisman apelida no livro a versão mais moderna da nossa espécie, que consome descontroladamente combustíveis fósseis - causou ao mundo natural, sobretudo nos últimos 150 anos, e também porque a tarefa de reparar esses danos parece realmente ciclópica e vai exigir com certeza grandes sacrifícios da nossa parte… se não quisermos mesmo desaparecer.
Por outro lado, é reconfortante porque os dados disponíveis sugerem que, desde que não continuemos a exercer pressões insustentáveis sobre a natureza, ela tem os recursos necessários para reparar o mal que lhe fizemos. “A natureza já enfrentou catástrofes muito piores e conseguiu sempre tornar a preencher os nichos vazios”, salientou ainda o autor.
(…) A primeira coisa que Weisman se empenha em provar no seu livro - e fá-lo, como jornalista que é, citando cientistas e técnicos com quem falou longamente e visitando pessoalmente os locais mais remotos, muitos deles desconhecidos da maioria das pessoas - é que aquelas coisas que consideramos, na nossa arrogante ingenuidade, indestrutíveis, serão as primeiras a sair de cena, pouco depois de nós.
“No dia a seguir ao desaparecimento dos humanos”, escreve Weisman, “a natureza toma logo o comando e começa imediatamente a fazer a limpeza da casa - ou seja, das casas”. Literalmente: moradias, prédios, cidades, pontes, metropolitanos, esgotos e virtualmente todas as nossas grandes obras de construção civil e os nossos monumentos mais imponentes e belos revelam-se extremamente frágeis face aos embates de Mãe Natureza, em particular da água, que tudo alaga, tudo dissolve. O processo pode demorar anos, décadas, séculos, até milénios, mas poucas realizações humanas passarão para a posteridade.
Portanto, a natureza irá reconquistar o território perdido. Talvez a Terra não retome o aspecto inicial que tinha antes de aparecermos, em África, há uns 200 mil anos (desde que se ergueu e se tornou bípede que o género Homo começou a deixar marcas no mundo natural), mas irá com certeza, afirma Weisman, conseguir sarar grande parte das suas feridas. Sem ninguém para o impedir, a floresta e as espécies silvestres tornarão a irromper nos campos agrícolas, os animais selvagens que ainda não se extinguiram regressarão aos seus territórios de outrora, começando aliás por fazer umas boas refeições à custa dos animais domésticos abandonados a si próprios.
O aumento do buraco do ozono, das emissões de dióxido de carbono, da poluição tóxica e radioactiva das águas e das terras serão, numa primeira fase, inevitáveis. À medida que os reservatórios de gás, os campos de petróleo, os reactores e ogivas nucleares que há pelo mundo forem libertados no ambiente devido à corrosão dos contentores que hoje os retêm, a situação não será famosa. Mas a seguir, conclui Weisman, só poderá melhorar, visto que os principais poluidores - nós - se terão esfumado para sempre. E haverá sobreviventes.
Uma ameaça muito séria, porém, provém das matérias plásticas que, desde a II Guerra Mundial, se tornaram omnipresentes - e que são absolutamente não-biodegradáveis, ao menos pelos standards da micro-fauna de hoje. “Os micróbios ainda não sabem digerir o plástico”, frisou Weisman. “Por isso, o plástico vai passar a fazer parte da geologia do planeta: brinquedos, computadores, telemóveis…” A praga do plástico é uma realidade incontornável: “Existem hoje jangadas de plástico do tamanho de pequenos continentes a flutuar pelos oceanos”, disse Weisman.
Surpreendentemente, revela o livro, os objectos de plástico mais frequentes à deriva nos oceanos são… os pauzinhos das vulgares cotonetes! Mas também, e cada vez mais, fragmentos microscópicos de plástico, tão pulverizados pelas águas que já não é possível identificar a que objectos pertenciam. E o pior é que esse pó de plástico está a ser integrado na cadeia alimentar dos mais diminutos organismos marinhos - krill e plâncton em geral - com consequências a longo prazo que se desconhecem. “Este problema apenas foi descoberto muito recentemente”, salientou.
Apesar de tudo, o que os humanos fazem ou fizeram nem sempre reveste contornos sinistros. Muitos dos especialistas que Weisman cita no seu livro são pessoas que, dia após dia, tentam conter a pressão invasora da natureza para permitir que a nossa vida se desenrole sem graves incidentes: engenheiros das pontes e estradas, dos túneis do metro, dos sistemas de tratamento das águas residuais, incansavelmente a limpar, arrancar ervas daninhas, colmatar fissuras para impedir fugas e alagamentos, etc.. Mas se viessem a desaparecer…
O que perduraria de nós - entenda-se, o que perduraria durante o tempo suficiente para que alguém (uma nova inteligência autóctone ou uma vinda do espaço) descobrisse um dia, por entre os sedimentos geológicos, rastos da nossa passagem? Será que o principal eco da nossa presença, daqui a milhões de anos, serão somente indestrutíveis bonecas Barbie?
Weisman é mais optimista: as estátuas de bronze e os objectos em cerâmica (”como os magníficos azulejos portugueses, que são como fósseis químicos”) também perdurarão.
(…)”Temos pela frente difíceis decisões para tomar”, acrescentou. (…) Eu não desisto, ainda tenho esperanças: acho que temos de enfrentar os problemas.” “
Fonte:http://jornal.publico.clix.pt/
O livro:
O Mundo sem Nós
Autor: Alan Weisman
Tradutor: José Pedro Barreto
Editor: Estrela Polar
311 páginas, 18 euros
Uma petição a assinar (apesar de a altura não ser eventualmente a melhor).
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