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Aqui ficam mais razões para estar contra a co-incineração de resíduos industriais perigosos no Parque Natural da Arrábida:
- O processo de autorização foi muito pouco transparente, ver link:
http://sic.sapo.pt/online/noticias/pais/20080116_Total+falta+de+transparencia.htm.
Acrescentaria o facto de a proposta de plano de ordenamento deste parque, apresentada em 2003, ter previsto a proibição de co-incineração em toda a área do parque. Ninguém contestou tal cláusula que até foi louvada. Como é que desapareceu no plano de ordenamento aprovado? Para que serve então a consulta pública destes documentos?
Na criação do PNA, as enormes restrições impostas tiveram, e têm, como objectivo a protecção da biodiversidade e principalmente da vegetação com fraca resiliência (fraca capacidade de resistir a perturbações negativas). Com este intuito passou a ser proibido uma série das actividades. Aqui ficam algumas como exemplo:
- corte de plantas ou partes de plantas (há quem já tenha sido multado por apanhar por exemplo um raminho de alecrim);
- criação de zonas de reserva integral que impediu proprietários de entrarem nos seus terrenos, sem se ter estabelecido qualquer tipo de compensação;
- na encosta Sul estão impedidas as actividades de pastoreio, agrícolas e/ou florestais;
- na área marinha do parque é proibida a apanha da minhoca, mexilhão, calhau e tudo o que mexa, ou não;
- as caminhadas pela serra têm que ser autorizadas pelo PNA, procedimento que abrange quem mora no PNA;
- e claro, há enormes restrições à construção.
O transporte de resíduos industriais perigosos no PNA constitui um risco enorme para a biodiversidade. Em caso de derrame destas substâncias, em resultado de um acidente, tudo o que se pretendia conservar poderá ser destruído para sempre. Tal como já referi, a criação do PNA possui objectivos muito concretos que não são compatíveis com a co-incineração de resíduos industriais. Pode aceitar-se que a Secil continue a operar num parque natural dado que já exercia a sua actividade antes da criação do PNA, mas isto não se passa relativamente à co-incineração. Não se podem criar impactes negativos num parque natural por dá cá aquela palha. Também não se pode aceitar que este processo fique isento de estudo de impacte ambiental. Afinal o parque é natural ou industrial?
O PNA é utilizado por muitos para práticas desportivas. Este tipo de actividade exige que a zona seja o mais limpa possível.
Não parece justo que a Secil continue a operar e que consiga aumentar ainda os seus lucros com actividades de co-incineração, quando os restantes proprietários do parque fornecem bens e serviços a custo zero a toda a população.
Para além do disparate, trata-se de uma enorme injustiça social. Pobre biodiversidade, sempre tão aclamada e tão pouco protegida.
Bem podem gritar… O problema não é complicado, pois situa-se exactamente na rede de interesses que colocou a política nacional de joelhos. Perguntem antes, qual o papel das cimenteiras nos partidos rotativos. E já agora, quais as ligações existentes entre estas, aqueles e o sector bancário…
Algumas questões:
1.º “processo de autorização foi muito pouco transparente” (ver link?). então baseamo-nos em notícias feitas por jornalistas para opinarmos sobre matérias técnicas e complexas (olhe que não…)
2.ºVejam o significado de RIP (resíduo industrial perigoso). Utilizem a internet também para estudar e não só para emitirem opiniões infundadas e descabidas. Parecem populistas.
3.º Vejam o que os verdadeiros ambientalistas defendem de facto (aqueles que estudam a raiz dos problemas e inovam com soluções alternativas). O mal da existência de resíduos perigosos é estes continuarem sem tratamento. O não tratamento de resíduos é que provoca a poluição e o perigo maior para as populações, já que se infiltram nos lençois freáticos ou evaporam (ah pois é!), quando evaporam não quer dizer que o problema deixou de existir, quer dizer que poluíram a atmosfera… (dhahh…) Em Sines muitos milhares de litros de lamas perigosas evaporaram, porque não se fez nada, mas aqui ninguém reclamou.
Neste momento Portugal ainda está a “dar” resíduos às indústrias espanholas (e lucros também que ficam tributados em Espanha em vez de Portugal), porque estas não têm problemas burocráticos provocados pelo excesso de advogados e pseudo juristas que existem em Portugal que não percebem nada de química, física, matemática… mas percebem de quê mesmo?… (desculpem a classe daqueles que são verdadeiros profissionais e estudam de facto os problemas a fundo). Parecem os sofistas dos políticos de hoje em dia que nada fazem para mudar de rumo a não ser as suas vidinhas tristes e baseadas sempre no bem estar próprio.
A co-incineração, ao contrário da incineração dedicada é até ao momento a melhor solução, já que permite com que cimenteiras incluam no processo produtivo resíduos que dão alto poder calorífico e nas indústrias, o lema é quanto maior aproveitamento energético houver melhor, e nestes casos o desperdício de recursos é sempre minimizado possível, muito menor do que comparado com uma incineração dedicada que tem de queimar e libertar co2 para atmosfera sem criar qualquer tipo de bem para a sociedade.
Conheço bem o discurso do lado das pessoas que não conhecem o processo cimenteiro, mas como estive numa sessão de portas abertas numa das cimenteiras portuguesas e me inteirei de documentação fornecida e de estudos divulgados publicamente feitos por ambientalistas, tirei as minhas conclusões. É muito fácil opinar sobre o desconhecido, mas temos de nos inteirar sobre os assuntos complexos como são estes casos. O planeta tem recursos para serem explorados se existirem compensações. O ser humano ao estar a desequilibrar a Natureza com tudo o que sempre fez desde que existe até agora, só tem 2 saídas:
ou regressa ao neandertalelismo com todas as implicações daí subjacentes,
ou utiliza a sua inteligência evolutiva para ver que desequilíbrios está a criar e actuar com o objectivo de manter a sustentabilidade do planeta (e quando se fala de planeta não é o planeta em si, que esse só irá desaparecer com a própria evolução do cosmos, mas as espécies que nele habitam). Seguramente a 1ª hipótese é a mais fácil, mas também ninguém disse que ser humano hoje em dia e principalmente no futuro irá ser fácil.