A máxima popular pode ser aplicada com justiça à contribuição da informática para a investigação - e evolução - científica. O trabalho não visa directamente ninguém, mas pode ajudar a todos.
E muitas pessoas e empresas podem auxiliar com os seus computadores. O processador age sozinho e apenas enquanto não está a ser usado pelo proprietário. Basta que esteja sempre conectado, algo fácil nas ligações de tarifa mensal fixa e muito comum nos computadores das grandes empresas.
Neste momento existem já em todo o mundo muitos milhares de processadores que lutam por um futuro melhor, ajudando em pesquisas para combater doenças como o cancro, SIDA, Alzheimer ou Parkinson.
Não é preciso saber de computadores ou medicina; basta querer ajudar e ter pelo menos um computador com ligação à Internet.
Em Portugal já há mais de 3.000 pessoas associadas para este fim comum. A equipa denomina-se Portugal@folding, nome que tem a sua origem no processo pelo qual as proteínas de enrolam (processo designado em inglês por “folding”).
É a forma como esse enrolar decorre que determina a função da proteína. Um enrolamento correcto origina uma proteína perfeita, ao passo que um enrolamento falhado pode causar doenças graves. Daí que seja essencial conhecer bem o processo para avançar para a cura das doenças.
O problema é que os cálculos necessários para alcançar o conhecimento total do processo são de tal forma complexos que, segundo investigações da Universidade de Stanford, nem todos os super computadores do mundo fariam melhor trabalho do que a computação distribuída, que assume o nome de Folding@Home.
Por isso a universidade norte-americana criou o projecto e o programa necessários para este trabalho em equipa. Qualquer voluntário pode descarregar o programa para o seu computador e, uma vez aí instalado, o programa só funciona quando o computador estiver ligado mas não estiver a ser utilizado.
Ou seja, a máquina aproveita os próprios tempos mortos e, enquanto o legítimo proprietário faz outras coisas, ela vai trabalhando para o bem comum, recebendo dados da Universidade, fazendo os cálculos e enviando os resultados de volta para os EUA.
Além da pesquisa para a cura de doenças, os processadores caseiros podem auxiliar outros estudos científicos, caso de um que tem por objectivo melhorar as previsões meteorológicas na Terra.
É possível obter mais informações nos seguintes links:
A equipa portuguesa - Portugal@folding - http://www.portugalfolding.com
Iniciativas com recurso à computação distribuída - http://distributedcomputing.info
O projecto na Universidade de Stanford - http://folding.stanford.edu
Informática ao serviço da ciência - http://www.worldcommunitygrid.org