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Uma verdade inconvenienteNeste documentário, Al Gore facilita-nos a compreensão do fenómeno das alterações climáticas e a sua relação com o modo de vida dos países desenvolvidos ao reunir e organizar informação e conceitos-chave sobre o tema.

Há muito que os assuntos ambientais deixaram de ser matéria vaga para os “ambientalistas”. Este é um problema que toca a todos.

A factura ambiental resultante do estilo de vida do mundo ocidental tem vindo a crescer, e os políticos colocam-nos perante a falaciosa escolha entre o equilíbrio ambiental do planeta e o bem-estar material. Ora, o bem-estar material não existirá sem o planeta.

A verdadeira questão que se coloca é: Como poderemos alterar o nosso modo de vida de forma a que no futuro tenhamos qualidade de vida, incluindo o bem-estar material?

Muitos têm dito que assistimos a um fenómeno cíclico e que o impacte humano não é significativo. O documentário protagonizado por Al Gore vem demonstrar, apoiado em estudos científicos, que o homem tem de facto um impacte significativo nas alterações climáticas.

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E os países em vias de desenvolvimento, onde encaixam eles nesta realidade?

Sabia que se tem comida no frigorífico (e um frigorífico!), roupa para usar e um tecto para dormir é mais rico que 3/4 da população mundial? Sabia que uma casa, água canalizada, rede de esgotos e electricidade são condições de que apenas uma parcela minoritária goza? Uma minoria ainda menor pode gozar de televisão, computador, automóvel, cuidados básicos de saúde. Não nos dá isto que pensar?

As condições que consideramos ser um direito inquestionável são de momento um sonho para a maioria da população mundial. Não terão essas pessoas direito ao conforto que nós temos? A maioria de nós não se tem apercebido do paradigma hipócrita sobre o qual a nossa sociedade assenta: Para os países desenvolvidos manterem os seus padrões de vida, é necessário que a esmagadora maioria da população mundial permaneça pobre.

A China é uma sociedade emergente, com mais de mil milhões de habitantes, a desenvolver-se a um ritmo muito acelerado, tendo como objectivo atingir os nossos padrões de vida. O mesmo cenário se aplica a muitos outros países em vias de desenvolvimento. Os seus habitantes têm o legítimo direito a exigir vidas confortáveis, em abundância. Mas se isso ocorrer com base no tipo de desenvolvimento que tem sustentado o estilo de vida dos países desenvolvidos, o planeta simplesmente não aguentará.

Os recursos sobre os quais temos feito depender os nossos padrões de vida, de consumo, não são inesgotáveis e no geral, a nossa tecnologia é “suja”, comprometendo o equilíbrio ecológico do planeta. O que fazer? Pedir ao resto do mundo que continue a viver na miséria, para que continuemos confortavelmente a nossa vida? Não é moralmente justo e mesmo que se mantivesse este modo de funcionamento, já não serviria este fim, pois ultrapassámos há muito os limites. Estamos em conflito com o planeta.

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As soluções e a vontade política

Merecemos uma vida abundante e feliz neste planeta? Todos nós, sem excepção? Concerteza que sim, mas temos, para isso, que desenvolver uma relação sustentável com o planeta.

O mais curioso é que as soluções existem. Têm sido encontradas diversas soluções tecnológicas “limpas”, que conduziriam a soluções sociais e económicas mais equilibradas. Há-que substituir o petróleo, apesar da forte resistência por parte de quem depende deste recurso para gerar a sua riqueza.

A aplicação das soluções depende da vontade política, que precisa ser influenciada por cidadãos conscientes e reinvidicativos. Temos de exigir objectivamente aos nossos governantes soluções económica e ambientalmente sustentáveis. A nossa civilização deverá fazer uma alteração de consciência antes que seja tarde demais. A questão das alterações climáticas não é um assunto para entreter as massas. É sério, é real e está à nossa porta.

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O que podemos fazer individualmente– Uma questão de consciência

“Pense globalmente mas aja individualmente”

Fiquei surpreendida quando assisti a um programa de televisão no qual vários cidadãos de países desenvolvidos, ao serem entrevistados sobre esta problemática, consideravam tratar-se de um problema global e que, individualmente, não poderiam fazer nada. Estas respostas reflectem uma ausência de consciência ou uma “confortável” atitude de continuar a viver sem encarar o problema.

O que vem a ser isso de um problema global? O global não é todo? De que é feito o todo? Não é das partes? E nós, somos o quê senão as partes do todo? No contexto mundial vivemos confortavelmente e é a forma como sustentamos o nosso modo de vida que tem vindo a provocar este desequilíbrio. Não teremos nós uma responsabilidade moral acrescida?

E se, de um momento para o outro nos fosse tirado o conforto a que nos habituámos? E se nos víssemos na pele de refugiados ambientais? É um cenário que não concebemos facilmente nas nossas mentes. Mas, quer desenvolvamos ou não a capacidade de antever o que se adivinha, estes acontecimentos acabarão por ocorrer de uma maneira ou de outra, indiferentes à nossa capacidade de reflexão. Isto se não pararmos a tempo. Para parar é preciso desenvolver consciência sobre o mundo que nos rodeia. Convém relembrar que o pior cego é aquele que não quer ver.

Al Gore relembra que, para que num futuro próximo não sejamos obrigados a abruptamente abdicar dos bens essenciais, temos agora de abdicar de alguns bens secundários e alterar hábitos cristalizados.

Sim, escolhas individuais podem ter impacte nas alterações climáticas. Poupar electricidade, reciclar, reutilizar os sacos,escolher veículos e produtos menos poluentes, andar mais a pé e de transporte público, exigir mais e melhor dos nossos governantes, são algumas sugestões.

Convido todos a fazer a sua própria pesquisa e a descobrir como pequenos gestos podem fazer a diferença.

Sítios úteis:

www.climatecrisis.net (em inglês): Site oficial de Uma verdade inconveniente
www.eco-gaia.net (Fórum Eco-Gaia: por um mundo melhor) – Procure por Alternativas ecológicas a produtos químicos

Encorajo todos a ver o documentário, pois é uma das escolhas individuais que pode fazer para informar-se melhor.

4 comentários to “Uma verdade inconveniente”

  1. em 12 Mar 2007 @ 18:53Luís Humberto Teixeira

    Gostei do teu texto, tanto pelas perguntas que colocas, como pelo apelo que fazes a que as pessoas se informem.

    Em relação ao antigo vice-presidente dos EUA, a impressão que tenho dele aproxima-se bastante da que o Frederico Duarte Carvalho expressou no Para Mim Tanto Faz: “O herói da causa ambiental não é nem nunca foi Al Gore, mas cada um de nós que dá o exemplo”.

  2. em 14 Mar 2007 @ 12:34Joana Santos

    Os muitos que afirmam que se trata de um fenómeno cíclico e que o impacte humano não é significativo, tendo em conta as restantes forças naturais, são normalmente cientistas e tb se baseiam em estudos científicos. É claro que no meio de tudo existem lóbis e cientistas menos correctos, mas isto acontece nos dois lados da verdade!

    A grande vantagem do tema das alterações climáticas, quanto a mim, é a de ter criado, pela primeira vez, a noção de que é necessário pensar no planeta como um todo.

    Mas se é necessário provar o improvável para que todos se apercebam que não podem continuar a poluir e a insistir no erro, então tb engulo o sapo…

  3. em 16 Mar 2007 @ 14:29Ângelo Fernandes

    Al Gore esteve cá com a sua apresentação.
    Quando soube disto, fiquei entusiasmado, o Al Gore anda realmente a espalhar a sua palavra pelo mundo; enfim o habitual que se pensa das boas intenções.
    No entanto li algures que grande parte do público estava lá somente por convite e os bilhetes para assistir eram de facto um pouco “inacessíveis”.

    Com poucas pessoas a assistir , quais serão os resultados óbvios da sua passagem por cá?

  4. em 23 Jun 2008 @ 14:22só um comentário

    Temm vários erros de português !
    Mas, o pensamento ta bom.

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