No passado dia 7 de Fevereiro foi apresentado o Inventário Florestal Nacional pelo Ministério da Agricultura. Neste documento constata-se que houve aumento de área florestal e diminuição de área de matos, quanto tudo indicava que se tivesse verificado exactamente o contrário, devido ao elevado número e dimensão dos incêndios dos últimos anos.
A explicação poderá estar no facto de bastar um grau de cobertura de 10% de floresta numa área de 0,5 ha para que seja considerada como povoamento florestal. Assim, meia dúzia de árvores no meio de um matagal imenso já pode ser considerado floresta!?
Talvez esta conclusão se trate de um exagero, mas se não nos preocuparmos com as consequências económicas desta estimativa, aumentar o mato ou a floresta é sempre uma boa notícia, independentemente do estarmos em desacordo relativamente à nomenclatura utilizada.
Analisando o quadro que discrimina os tipos de floresta considerados, verifica-se que afinal de contas o número de hectares de povoamentos diminuiu, pelo que o aumento referido resulta do aumento de áreas ardidas de povoamentos e ainda de áreas de corte raso.
Em conjunto estas áreas aumentaram cerca de 147,6 x 10³ ha em relação ao inventário de 1995/8. Por outro lado, são ainda consideradas como floresta as novas plantações, constituídas em muitos casos por plantas com escassos centímetros de altura, que diminuíram em área de ocupação. O aumento em floresta em relação a 1995/8, de 63 x 10³ ha, é portanto resultado do aumento de áreas sem árvores!
O estudo revela a perda de área florestada por pinheiro bravo devido sobretudo aos incêndios, mas também ao aumento da área afectada por nemátode que actualmente já chega à região de Santarém.
A área ocupada por carvalhos, castanheiros e outras folhosas, também decresceu. Na apresentação do documento foi dada uma boa notícia: a área de sobreiro aumentou em cerca de 23,9 x 10³ ha na sequência da legislação que obriga à replantação de árvores em número superior às abatidas. Assim, só não se percebe por que razão, relativamente ao eucalipto, se referiu que a área se manteve estável quando diminuiu mais do que o sobreiro aumentou, cerca de 25,4 x 10³ ha.
Atendendo às áreas florestais por espécie, o documento apresenta a designação “Outras formação lenhosas e diversas” que aumentaram em 18 x 10³ ha relativamente ao inventário anterior que não incluía este tipo de designação. Visto que existe a designação “Resinosas diversas” e “Folhosas diversas” o que incluirá então aquela nova categoria? Matos gigantescos?