Os cadernos eleitorais portugueses têm, no mínimo, 785.111 eleitores-fantasmas, valor que corresponde a 8,92 por cento do total de inscritos e pode ser traduzido por algo como “um em cada onze eleitores inscritos nos nossos cadernos eleitorais não existe”.
O caso mais preocupante é o da Madeira, círculo onde se estima que um em cada cinco eleitores inscritos é “fantasma”. Aliás, foi o excesso de eleitores-fantasma neste círculo que permitiu que, nas Legislativas 2005, aquela Região Autónoma elegesse seis deputados, em vez dos cinco a que teria direito se os cadernos eleitorais estivessem limpos.
Porém, a Madeira não foi a única beneficiada com a existência destes cerca de 800 mil eleitores-fantasma. Lisboa, Bragança, Castelo Branco e Viana do Castelo também terão tido uma representação superior àquela a que tinham direito.
Os prejudicados foram os círculos de Aveiro, Évora e Setúbal, que não tiveram direito a mais um mandato cada, mas sobretudo o Porto, que num cenário de cadernos eleitorais perfeitamente limpos receberia mais dois mandatos para a Assembleia da República.
Todos estes dados foram calculados por Luís Humberto Teixeira e José António Bourdain, mestrandos do curso de Política Comparada do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL), com base no cruzamento de dados estatísticos do INE, do STAPE, do SEF e do ICS-UL.
Os resultados de 8,92 por cento de eleitores-fantasma nos cadernos eleitorais superam, em larga medida, análises anteriores sobre o assunto. Isto, mesmo tendo os autores seguido uma estratégia de cálculo conservadora, ou seja, sem extrapolações arriscadas, na abordagem ao problema dos eleitores-fantasma.
Seguindo os links, poderá consultar o estudo em formato PDF, bem como uma tabela com a estimativa de distribuição dos eleitores-fantasma círculo a círculo.
[…] ao artigo integral aqui disponibilizada) surge brevemente apresentado no Vamos Mudar o Mundo: "Eleitores-fantasma em Portugal rondam os 800 mil". Trata-se de uma preocupação recorrente a exigir análise e […]
Preocupa-me o facto de termos eleições que não são mais do que fachada. Ainda por cima porque se os cadernos eleitorais estivessem em conformidade o referendo ao aborto poderia ter sido vinculativo.
Será que é desta que se faz constituir uma comissão “Ghost Busters” e o problema se resolve?
Mais uma comissão não, por favor! Sempre que oiço falar em constituir-se uma comissão qualquer para abordar um problema, lembro-me logo da Comissão Eventual para a Reforma do Sistema Político Português, que foi criada, reuniu-se várias vezes, foi extinta e teve efeitos práticos… nulos.
O estudo teve até ao momento a vantagem de ter chamado a atenção do deputado Luís Carloto Marques, que entregou um requerimento na Assembleia da República a solicitar ao Governo que preste esclarecimentos sobre como pretende resolver a questão.
Vamos esperar para ver o que lhe respondem.
Bom trabalho, já passou pelo público http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1290039&idCanal=21
Ainda bem que v/ levantam o problema; pois é uma vergonha (incompetência) de 4260 presidentes de Junta e provavelmente de mais do que este número de pessoas! Coisa tão simples de corrigir e manter permanentemente actualizada; mas quiçá, para estes o trabalho acaba-se e/ou azeda. Será que o Cartão do Cidadão irá resolver este caso?! …mas mesmo assim, ainda se irão passar pipas de eleições e com comentários dos “espertos” para parolos e/ou gargalhada!
[…] Uma vez que o Público de hoje publicou uma matéria acerca do estudo sobre eleitores-fantasma que, no início do mês, aqui divulgámos, aqui fica um link directo para o artigo original. […]
[…] que também motivou um requerimento ao parlamento foi um estudo sobre o número de eleitores-fantasma em Portugal, que efectuei em conjunto com o meu colega de mestrado José António […]